sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

com a felicidade

Num desses assaltos o cara resolveu apontar a arma pro homem e pediu gritando pra passar a felicidade pra ele, rapidinho, rápido se não eu derrubo.
O homem sentou no meio fio e contou uma história bonita de quando nasceu sua filha.
O assaltante levantou e foi embora com a felicidade.

***

Nessa época era possível se privatizar a felicidade, os momentos bonitos e o prazer de viver. Tinha quem tivesse tanta felicidade que começou a subir pro céu nos bairros mais felizes de Porto Alegre, uma casca se fez no céu de um rosa cada vez mais rosa. Sempre se sorria, ninguém precisava assistir televisão e só chovia quando o prefeito mandava. E a chuva era de lágrima não chorada, soro para doenças.

Nos bairros infelizes não tinha nada no céu e chovia quando o tempo resolvia chover. As pessoas preferiam tentar trabalhar nos lugares felizes de Porto Alegre, mas se era pouco aceito porque todos temiam que a felicidade fosse roubada pelos infelizes. Em poucos lugares do mundo era possível ver tanta gente feliz e infeliz ao mesmo tempo. Grandes empresas se instalavam nos bairros infelizes e pagavam seus empregados com pequenas histórias felizes. Mas o céu dos infelizes continuava azul e à noite ainda podiam ver as estrelas. As autoridades estavam trabalhando para evitar que os infelizes olhassem para cima.

1 comentários:

Fabrício Vieira disse...

genial!!
saudade grande.